Ontem a minha Joana veio para casa cheia de febre, dei Paracetamol e baixou. Esta manhã até estava assim-assim mas como já conheço a peça, toca a meter-me no carro e leva-la à médica de família. Ainda bem que fui, de manhã, ao sair, até me parecia bastante estável mas ao pedir a senha no posto já ela ardia novamente em febre, por sorte fomos logo atendidas, nova gripe, pulmões e garganta limpos, apenas muita febre mais uma, 3 dias de molho.
Falei-lhe da minha nova condição de separada, tinha de tirar dúvidas até em relação à Joana e a médica wow... lá expliquei, sem papas na língua, os como's e os porquês (basicamente, fui trocada) e de estar a reagir surpreendentemente bem e a andar com a vida para a frente :)
Questões:
- Será cedo para reagir assim?
- Não devia estar triste?
- Estou a meter debaixo do tapete algum luto que me vem bater mais tarde???
...pois que não :)
diz que a minha personalidade é extremamente forte e que estou a reagir da maneira certa e, surpreendentemente, muito bem :))
Contei-lhe que a psicóloga de alguém, que nunca me viu ou falou comigo, disse há uns meses que eu tenho de estar deprimida com tudo o que me aconteceu, com a morte da minha bebé e o resto... franziu o sobrolho e disse:
- A Carla deprimida??????? Mas nem pensar, é das pessoas com maior dificuldade em ficar deprimida que conheço, tem sempre planos e projetos novos, tem sempre algo mais que fazer e pensar e, quando assim é, não se fica deprimida :)
(soube-me BEM ouvir isto)
E questionei ainda, porque não entendo sequer o conceito de depressão:
- Mas tem a certeza que não estou, que isto de ter sempre planos não é uma forma estranha de depressão?
Respondeu: - Nem pensar - e fiquei contente com a resposta
Mais duas questões, sobre os miúdos, embora de início me tenha custado, estou a fazer o correto ao deixar que vão - os dois - nas visitas, sem dramas (as crianças não merecem de facto levar com as questões dos adultos), que a Joana, caso estabeleça rotinas na nova casa do pai nem se vai aperceber da grande maioria dos problemas que as restantes crianças costumam levantar (ela tem de facto uma forma de pensar mais clean e feliz) e, a segunda questão, sobre se faço bem ou mal de me recusar a ver a "pessoa que me roubou o marido", pois tenho recebido das mais variadas pessoas opiniões absolutamente contraditórias, desde "tens de a conhecer porque vai lidar com os teus filhos e pode fazer-lhes mal" até a "nem pensar, a gaja é uma isto e aquilo e ainda bem que isto e aquilo"... eu sou moderada e simplesmente não a quero ver ou estar perto, mas que vá à vida dela e que sejam felizes... mas longe, cada um no seu canto :)
Any way :) adorei a resposta:
- VER??? mas NEM PENSAR!!! Não tem de estar perto de uma pessoa que a incomoda :)
Saí contente :) estou a fazer tudo bem e é o que importa :)
A ideia é que:
- as crianças devem estar com a mãe e com o pai (ou figura paterna com quem há laços de afeto) e
- eu, obviamente, não tenho de levar com quem me roubou o marido e portanto, obviamente me incomoda...
...se a parte das crianças é de largo consenso, a outra de tal pessoa, não o é, mas, quem não entende o meu incomodo é porque tem alguma falta de capacidade de empatia com as partes afetadas ou não quer entender... OK, se eu fosse cínica, interesseira e falsa era diferente mas não sou... comparar com por exemplo pessoas do nosso passado ou quem sabe do nosso futuro, não tem mesmo nada a ver, esta pessoa (calhou ser esta) meteu-se de facto no meio de uma relação que existia e estava estabelecida, calhou ser a minha que não finjo simpatias ou reajo por interesses e portanto, obviamente que incomoda, tem de incomodar, é até saudável que incomode, foi uma pessoa que causou estragos sabendo que os ia causar, portanto tem de incomodar :) se fosse outra, esta ser-me-ia indiferente (não a conhecia antes, era-me indiferente) e seria outra a incomodar, mas é esta :)
outras pessoas não incomodam, não terão sido responsáveis por nada que me tenha magoado :)
E com tudo isto descobri mais uma importante máxima a aplicar na minha vida, máxima que geralmente por altruísmo ou simplesmente boa educação não aplicava:
- Cortar com quem me incomoda!
Portanto viver e aprender!
Foi de facto muito útil a conversa de hoje, andava há uns meses numa de "será que estou deprimida e não sei??" pois não, não estou, bem que não me sentia mas sabe-se lá se os meus constantes projetos e inovações e planos A e B e C não seriam alguma forma desconhecida de fuga à minha escondida depressão :)
Tenho simplesmente uma personalidade forte que analisa os factos, sofre um bocado - desta vez muito mesmo, o mundo acabou - mas levanta a cabeça, percebe que se uma coisa já não vale a pena não adianta perder tempo com a mesma e mete mãos à obra, afinal para que raio me servia estar deprimida e a chorar pelos cantos e a bater com a cabeça nas paredes? Não servia para nada, tenho uma casa para (mal ou bem) tratar, 2 filhos para mimar e cuidar, 3 cães, 4 gatos, galinhas e patas, 2 tartarugas, mas quem raio se pode deixar ir abaixo com tanta coisa a depender de sí?
Atenção, não são pesos, são seres e coisas da minha vida, com os quais me sinto bem :)
Impossível ir abaixo, ando é a ver como vou dispor as coisas, voltar a arrumar o escritório e o quarto, organizar contas e dinheiros, fazer profundas limpezas, aprender a ir ao supermercado comprar comida (eu e o Pedro fizemos ontem compras para a semana certinhas com um teto de 40€ em que só falhamos 0,39€ e trouxemos quase tudo), levar os miúdos para tudo o que é sítio, etc... nos momentos mortos chora-se a dor da morte deste amor (ainda não está 100% mas vai ter de estar), desde casamento, deste projeto e desta casa, porque era tudo isso e deixou de o ser nos moldes em que existia, sem um dos 4 elementos que o compunha, forçosamente quebra, mas, das ruínas alguma coisa tem mesmo de renascer certo? a questão é que atualmente não tenho mesmo muitos tempos mortos para chorar essas perdas, chorei mesmo muito na primeira semana, agora chega, com 42 anos e tanta coisa para fazer e tratar já não tenho tempo para certas coisas :)
É por ai :)
Carla